A Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV RI) e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) realizaram, em 2 de julho, em São Paulo, o seminário Perspectivas de Risco Geopolítico na América do Sul. O encontro reuniu representantes da academia, da diplomacia, das Forças Armadas e do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) para discutir como a intensificação da competição entre grandes potências vem transformando o ambiente estratégico sul-americano e ampliando os desafios para o Brasil.
Na abertura, o diretor-geral da ABIN, Luiz Fernando Corrêa, destacou a importância da integração entre os diferentes subsistemas de inteligência do Estado brasileiro. O diretor da FGV RI, Matias Spektor, ressaltou que a crescente instabilidade internacional exige novas formas de análise e avaliação de riscos. “O ambiente internacional tornou-se mais complexo e competitivo. Preparar profissionais capazes de compreender essas transformações é uma necessidade estratégica para o país”, afirmou.
Ao longo do dia, os participantes debateram temas como a competição entre grandes potências na América do Sul, defesa e cooperação nuclear, minerais críticos, inteligência artificial, data centers e os impactos da rivalidade entre China e Estados Unidos. O seminário também dedicou uma sessão ao avanço do crime organizado transnacional e seus efeitos sobre a segurança regional.
Para Oto Montagner, professor da FGV RI, o enfrentamento desse desafio exige maior aproximação entre produção acadêmica e inteligência de Estado. “O crime organizado transnacional tornou-se um dos principais desafios estratégicos para o Brasil. Produzir conhecimento aplicado é essencial para compreender o problema e apoiar respostas mais eficazes.”
No encerramento, Matias Spektor e o Superintendente da ABIN em São Paulo Gustavo Weber sintetizaram os principais pontos do debate. Spektor destacou que a parceria entre a FGV RI e a ABIN amplia a capacidade de formação de profissionais preparados para responder aos novos desafios da geopolítica regional.
“A aproximação entre universidade e Estado fortalece a capacidade brasileira de antecipar riscos e formar quadros qualificados para atuar em um ambiente internacional cada vez mais complexo”, afirmou.