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Pesquisa analisa como influenciadores digitais transformam relações sociais entre pré-adolescentes

Uma pesquisa publicada no European Journal of Marketing investigou como influenciadores digitais vêm transformando a forma como pré-adolescentes constroem amizades, conquistam reconhecimento social e desenvolvem hábitos de consumo. O estudo também mostra que as referências difundidas nas redes sociais podem influenciar mecanismos de inclusão e exclusão entre estudantes. 

A pesquisa foi conduzida por Eliane Pereira Zamith Brito, da FGV EAESP, em parceria com Adriana Schneider Dallolio, da Universidade de São Paulo (USP) e Maria Carolina Zanette, da Neoma Business School, na França. O trabalho envolveu observações em três escolas particulares brasileiras, entrevistas com oito pré-adolescentes e 25 mães, educadores e psicólogos, além da análise de conteúdos produzidos por influenciadores acompanhados pelos participantes. 

Os resultados indicam que a popularidade nessa faixa etária deixou de depender apenas de fatores tradicionalmente valorizados, como aparência física ou desempenho escolar. A capacidade de acompanhar tendências digitais, interpretar conteúdos produzidos por influenciadores e incorporar essas referências ao cotidiano também passou a exercer papel importante nas relações sociais. 

Segundo o estudo, crianças e adolescentes desenvolvem competências relacionadas ao consumo digital, como combinar referências de diferentes criadores de conteúdo, adaptar estilos pessoais, identificar nichos de interesse e criar formas próprias de expressão nas redes sociais. Em alguns casos, essas habilidades contribuem para que determinados estudantes se tornem referências entre os colegas, influenciando comportamentos e tendências dentro do ambiente escolar. 

A pesquisa também destaca efeitos positivos e desafios desse cenário. Se, por um lado, as redes sociais podem ampliar as possibilidades de reconhecimento para jovens que não se enquadram em padrões tradicionais, por outro, podem criar novas barreiras de integração baseadas no consumo, no engajamento digital e no acompanhamento de tendências. 

Outro aspecto observado é a dificuldade de muitas famílias em acompanhar a rapidez das transformações no ambiente digital, o que amplia a influência das redes sociais na formação de valores, preferências e hábitos de consumo entre pré-adolescentes. 

Diante desse contexto, os pesquisadores defendem uma atuação conjunta de escolas, famílias e formuladores de políticas públicas para fortalecer a educação para o consumo e o letramento digital. A proposta é contribuir para que crianças e adolescentes desenvolvam uma visão mais crítica sobre os conteúdos consumidos nas redes sociais e construam relações menos dependentes do consumo como forma de reconhecimento. 

Leia o artigo na íntegra aqui. 

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