O Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro) divulgou o documento “Plano Safra 26/27: Um Plano Limitado Pelos Juros Elevados”, que traça um panorama crítico sobre as novas medidas de crédito rural. O estudo analisa o volume anunciado de R$ 525,1 bilhões para o Plano Safra empresarial, o que representa uma alta nominal de 1,7% frente aos R$ 516,2 bilhões da safra passada. Contudo, ao descontar a inflação acumulada pelo IGP-DI (2,5% a.a.), o pacote sofre, na verdade, uma contração real de 0,8%.
A ideia central apresentada pelos pesquisadores é que as elevadas taxas de juros da economia tornam os demais aspectos do Plano Safra secundários. Em um cenário de margens estreitas para o agronegócio, o custo do financiamento pode se converter em um “mau negócio” para o produtor. O estudo demonstra que mesmo as linhas de crédito com taxas preferenciais, como o Pronamp (9,0% a.a.) e o Moderfrota (12,5% a.a.), impõem encargos significativos que pressionam a capacidade de pagamento e encarecem consideravelmente os custos de produção e aquisição de maquinário.
O documento também chama atenção para contradições dentro do orçamento de investimentos. Apesar do aumento nominal de recursos para essa finalidade, houve reduções severas em linhas voltadas para a infraestrutura produtiva. O Moderfrota, focado no financiamento de máquinas, sofreu um corte de 61% nos volumes disponibilizados. Já o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) apresentou uma redução de 24% em seus recursos.
Por fim, o estudo da FGV alerta para os riscos de assumir dívidas de longo prazo com as taxas fixas atuais. Considerando um financiamento de cinco anos a 12,5% ao ano, o produtor corre o risco de pagar uma taxa superior à Selic no futuro, caso a taxa básica de juros mantenha uma trajetória de queda. Como solução, os autores sugerem a implementação de juros flexíveis atrelados à Selic, o que preservaria o diferencial positivo do crédito rural e proporcionaria mais segurança financeira ao produtor ao longo de todo o contrato.