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Artigo de Patricia Garrido e Maria José Tonelli, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), publicado na revista GV Executivo, analisa o papel das lideranças intermediárias na promoção da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) e mostra como esses profissionais podem impulsionar transformações sustentáveis, mesmo em organizações onde o tema ainda não é uma prioridade institucional.
Embora a sustentabilidade tenha ganhado espaço no discurso corporativo, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para incorporar práticas ESG ao cotidiano. Nesse cenário, líderes intermediários ocupam uma posição estratégica ao conectar as diretrizes organizacionais às operações, identificando oportunidades para implementar mudanças de forma gradual e alinhada aos objetivos da instituição.
As autoras defendem que, em ambientes marcados por ambiguidades e ausência de diretrizes claras, esses profissionais podem atuar por meio do chamado “hacking institucional”: uma estratégia baseada em pequenas intervenções, negociações e adaptações que permitem promover avanços sem confrontar diretamente as estruturas existentes.
O artigo destaca que essa atuação exige leitura cuidadosa do contexto, construção de alianças internas, capacidade de traduzir pautas ESG para a linguagem de negócios e disposição para lidar com desafios como resistência cultural, desgaste profissional e falta de reconhecimento institucional.
Além da reflexão teórica, o estudo apresenta exemplos práticos de iniciativas conduzidas por lideranças intermediárias, como a implementação de projetos-piloto com insumos sustentáveis, a inclusão gradual de critérios socioambientais na seleção de fornecedores e ações voltadas à promoção da diversidade em processos de recrutamento. Em comum, esses casos demonstram que mudanças relevantes podem surgir por meio de iniciativas discretas, sustentadas por resultados concretos e articulação estratégica.
Ao reconhecer o potencial transformador desses profissionais, o artigo propõe uma nova perspectiva sobre a liderança organizacional, mostrando que a transição para modelos de gestão mais sustentáveis depende não apenas das decisões da alta administração, mas também da capacidade de ação daqueles que ocupam posições intermediárias na estrutura das organizações.