Painel “Dinâmica Econômica Mundial e os Desafios Socioeconômicos Brasileiros”
O primeiro dia do Fórum Econômico FGV, realizado dentro da programação do Rio Innovation Week 2026, foi marcado por debates sobre o cenário macroeconômico global e seus reflexos na economia brasileira. A proposta do Fórum, parceria do Rio Innovation Week e da FGV Projetos é reunir especialistas de diferentes áreas para promover reflexões sobre os caminhos para fortalecer a capacidade de adaptação do Brasil diante de um ambiente global cada vez mais complexo e dinâmico.
No primeiro painel, “Dinâmica Econômica Mundial e os Desafios Socioeconômicos Brasileiros”, o professor Sérgio Werlang, da EPGE Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE), avaliou a visão dos agentes econômicos sobre as contas públicas do país, alertando que “o mercado não está botando no preço que terá um ajuste fiscal forte”. Segundo Werlang, o Brasil está “no meio do caminho” e pode ou não ser ajudado pelo cenário externo.

Da esquerda pra direita, Carlos Marques, Parlatório, Fernando Rocha, JGP, Solange Srour, UBS, Silvia Matos, FGV IBRE, Sérgio Werlang, FGV EPGE e Samuel Pessôa, FGV IBRE
A plenária de abertura pautou também como tensões geopolíticas e inovações impactam o país. A coordenadora do painel, Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), reforçou o papel da FGV como um dos maiores think tanks e instituições de ensino do mundo, com o objetivo de promover um debate propositivo. Sobre a realidade nacional, Silvia alertou: “O Brasil tem crescido sem ganhos de produtividade, mas há um esgotamento nesse padrão de crescimento.”
Complementando a análise sobre as contas públicas, o pesquisador Samuel Pessôa (FGV IBRE) ressaltou a resiliência do Real e a posição privilegiada da América do Sul, que segue segura em meio aos conflitos globais, mas advertiu para o futuro econômico. “Em algum momento vai ter uma revisão cíclica da economia. Ciclos grandes de endividamento apontam para essa revisão. Ocorrendo isso, a situação fiscal piora muito”, analisou. Ele ponderou, no entanto, que o histórico do país deixa margem para correções: “A evidência no Brasil é que arrumamos a casa quando estamos chegando perto do abismo. Acho que existe espaço para ajuste fiscal.”
A mesa contou ainda com visões complementares do setor financeiro. Joaquim Levy, ex-ministro da fazenda e diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra, e Solange Srour, head da área de Macroeconomia do Brasil no UBS como Managing Director, frisaram a palavra “incerteza” para ditar o ritmo do mercado mundial. Os painelistas destacaram os desafios trazidos pelo déficit americano, as mudanças de comando no Fed (Banco Central dos EUA) e as implicações dos juros globais e do dólar para o Brasil, além do impacto iminente da inteligência artificial na economia, previsto para os próximos dois anos.
Inovação, Qualificação e Nova Economia marcam a tarde
Na parte da tarde, a programação do Fórum se expandiu para três mesas-redondas simultâneas, conectando os desafios macroeconômicos à economia real.
O painel “Dinâmica tecnológica: Agro 5.0, Indústria 5.0 e Serviços 5.0″, coordenado por Irineu Rodrigues (FGV Projetos) e com a participação de Guilherme Bastos (FGV Agro), explorou os impactos das tecnologias disruptivas na segurança cibernética e na produtividade. Em entrevista para as redes sociais da FGV, Bastos fez uma análise do cenário e uma síntese de sua apresentação: “A inteligência artificial tem gerado inúmeras oportunidades no setor agropecuário, fomentando uma gestão mais eficiente e o uso racional de recursos, como água e insumos. A nossa Agro 5.0 está se estruturando, mas é claro que depende para isso de um arcabouço fiscal e regulatório muito bem definido, além da viabilização da conectividade no território, para que a gente possa evoluir.”

painel “Dinâmica tecnológica: Agro 5.0, Indústria 5.0 e Serviços 5.0”
Em paralelo, a mesa “Transformações do trabalho e qualificação profissional”, sob coordenação de Luiz Carlos Duque e com presença do professor Valdemar Pinho Neto (FGV EPGE), focou na preparação das organizações para um mercado intensamente digitalizado. Ilustrando a urgência dessa pauta, Pinho Neto alertou para a necessidade contínua de atualização: “Com o avanço da tecnologia, as coisas estão mudando muito rapidamente, e no mercado de trabalho não seria diferente. A inovação tecnológica está cada vez mais entranhada na sociedade, de modo que quem não se qualificar da melhor forma e com o melhor conhecimento possível, certamente vai ficar para trás nessa corrida que é o mercado.”
O fórum cumpre o papel de orientar o mercado e o setor público diante dessas incertezas que, como resumiu Luiz Carlos Guimarães Duque, diretor executivo da FGV Projetos, refletem “um momento de transformação da sociedade, no Brasil e no mundo”.

painel “Transformações do trabalho e qualificação profissional”
Encerrando as atividades principais do dia, o painel “Empreendedorismo na Nova Economia”, com a participação de Aloisio Campelo do FGV IBRE e Luiz Gustavo Barbosa, da FGV Projetos, mapeou os desafios e as grandes oportunidades para empresas que buscam prosperar em meio ao ritmo acelerado das transformações tecnológicas.

painel “Empreendedorismo na Nova Economia
Confira a programação completa: clique aqui