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Uma pesquisa da professora Gabriela Lotta, da FGV EAESP, em parceria com Mariana Costa Silveira, Luciana Cingolani, João Victor Guedes-Neto, Alexandre de Ávila Gomide e Pedro Sesconetto Souza, publicado na revista científica Public Administration Review, identificou que a resistência de servidores públicos a pressões antidemocráticas está diretamente relacionada às condições oferecidas pelas organizações em que atuam. O estudo demonstra que ambientes institucionais com redes de apoio, associações profissionais atuantes e canais seguros para denúncia favorecem decisões alinhadas à legalidade e à proteção das instituições democráticas.
Os pesquisadores realizaram um experimento com quase 2,5 mil servidores públicos federais brasileiros, que avaliaram cenários hipotéticos de pressão política. Ao todo, foram analisadas aproximadamente 15 mil avaliações, permitindo identificar quais fatores organizacionais influenciam a disposição dos servidores para resistir a demandas ilegais ou antidemocráticas.
Os resultados mostram que a resistência não depende apenas de valores individuais. Quando os servidores percebem apoio institucional, respaldo dos colegas e acesso a mecanismos confiáveis para relatar irregularidades, tornam-se mais propensos a adotar formas abertas de resistência, como registrar denúncias e comunicar situações inadequadas às instâncias competentes.
Entre os fatores analisados, destacam-se a existência de ouvidorias independentes e de canais protegidos para denúncias. Segundo os autores, quando esses mecanismos são percebidos como eficazes e seguros, aumenta significativamente a probabilidade de que servidores se posicionem diante de pressões incompatíveis com os princípios democráticos.
A pesquisa também aponta caminhos para fortalecer a capacidade das organizações públicas de proteger a democracia. Entre as medidas sugeridas estão a criação de canais seguros de denúncia, a promoção de espaços para discussão ética, o incentivo à troca de experiências entre servidores e o fortalecimento dos vínculos com associações profissionais.
As conclusões reforçam que a defesa das instituições democráticas depende não apenas da atuação individual dos servidores, mas também de ambientes organizacionais capazes de oferecer apoio, proteção e condições para que decisões éticas sejam tomadas mesmo em contextos de pressão política.